outrossim- - -outrossim- - -

outrossim é a puta que pariu!

Nov 17
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Eis o dilema que Shelley apresenta no seu poema “Ozymandias”, a descrição de um viajante que se depara com a estátua do antigo faraó; e, na base da estátua, a inscrição plena de vaidade humana: “O meu nome é Ozymandias, rei dos reis:/ Contemplem as minhas obras, ó poderosos, e desesperai!”. Palavras ridículas e vãs. Milênios depois, quem desespera com as obras esquecidas do esquecido rei dos reis?
(…)
Banalidades”, no sentido próprio do termo: as banalidades salvíficas que o personagem Isaac, em “Manhattan”, debita para um gravador; os filmes dos irmãos Marx, é claro; mas também o talento desportivo de Willie Mays; uma sinfonia de Mozart; os filmes de Bergman; os romances de Flaubert; o rosto da mulher que amamos. É pouco? Kierkegaard diria que sim: o “estádio estético” não garante o nível de realização humana que só o “salto” da fé religiosa permite.Curiosamente, e nos últimos anos, Woody Allen tem refletido sobre essa hipótese: sobre os limites do estético. Ou, em alternativa, sobre a imperiosa necessidade de fundamentação ética. E não é por acaso que três dos últimos filmes (“Crimes e Pecados”, “Match Point” e “O Sonho de Cassandra”) partem da mesma pergunta arcana: num mundo sem Deus, tudo é permitido? Os três filmes, que a ignorância do tempo interpreta como repetições sem grande originalidade, devem ser vistos em conjunto. Porque eles vão adensando e amadurecendo uma resposta. Gradualmente.

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(João pereira Coutinho)

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Eis o dilema que Shelley apresenta no seu poema “Ozymandias”, a descrição de um viajante que se depara com a estátua do antigo faraó; e, na base da estátua, a inscrição plena de vaidade humana: “O meu nome é Ozymandias, rei dos reis:/ Contemplem as minhas obras, ó poderosos, e desesperai!”.
Palavras ridículas e vãs. Milênios depois, quem desespera com as obras esquecidas do esquecido rei dos reis?

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Banalidades”, no sentido próprio do termo: as banalidades salvíficas que o personagem Isaac, em “Manhattan”, debita para um gravador; os filmes dos irmãos Marx, é claro; mas também o talento desportivo de Willie Mays; uma sinfonia de Mozart; os filmes de Bergman; os romances de Flaubert; o rosto da mulher que amamos. É pouco? Kierkegaard diria que sim: o “estádio estético” não garante o nível de realização humana que só o “salto” da fé religiosa permite.
Curiosamente, e nos últimos anos, Woody Allen tem refletido sobre essa hipótese: sobre os limites do estético. Ou, em alternativa, sobre a imperiosa necessidade de fundamentação ética. E não é por acaso que três dos últimos filmes (“Crimes e Pecados”, “Match Point” e “O Sonho de Cassandra”) partem da mesma pergunta arcana: num mundo sem Deus, tudo é permitido? Os três filmes, que a ignorância do tempo interpreta como repetições sem grande originalidade, devem ser vistos em conjunto. Porque eles vão adensando e amadurecendo uma resposta. Gradualmente.

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(João pereira Coutinho)